Liberdade Aprisionada


Sentando à janela do meu quarto, encarando essa tarde cinzenta e melancólica, percebo que o vazio dentro de mim já se tornou imenso. Pergunto às nuvens que cobrem o céu - e não permitem que o azul resplandeça - até quando vou viver trancafiado nessa solidão que me devora aos poucos. Pergunto-me se há um futuro a minha espera, do lado de fora dessa janela.

Meu pensamento me motiva a buscar a felicidade, mas logo o medo vem a tona e não permite que eu me movimente. É como se meus pés estivessem acorrentados a alguma coisa pertinaz que nem ao menos sei o que é. Como se a minha liberdade tivesse sido arrancada de mim, como o vento arranca a folha seca de uma árvore.

Ainda assim, lutando contra o temor que persiste em me fazer desistir de tudo, eu consigo imaginar que há algo bom esperando por mim. Há alguém esperando pelo meu abraço, esperando para ouvir a minha voz, ansiando pelo meu sorriso, esperando pra dividir as emoções comigo.

A tarde segue com seu cinza melancólico. O chuvisco reboca o vidro, as gotas d'água escorrem rapidamente pela janela e se acumulam no parapeito. Há alguma razão para seguir em frente... eu sei! Sinto-me aliviado e, surpreendentemente, consolado. É como se algo grandioso estivesse por vir, para me libertar dessas correntes onde aprisionei a mim mesmo.

— Diego Dittrich

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